O Destino dos insensatos
Fala Krishna:
1. Valor, sinceridade, perseverança na yoga do conhecimento, benevolência, domínio de si mesmo, devoção, estudo dos livros sagrados, austeridade, retidão,
2. mansidão, veracidade, ausência de cólera, abnegação, tranqüilidade de ânimo, ausência de maledicência, compaixão por todos os viventes, impassibilidade diante da tentação, doçura, modéstia, circunspecção,
3. energia, paciência, firmeza, pureza, misericórdia, recato - tais são os dotes daquele que nasceu na condição divina.
4. Hipocrisia, soberba, presunção, ira, insolência e ignorância - tais são, filho de Prithâ, as qualidades daquele que nasceu na condição demoníaca.
5. A qualidade divina conduz à libertação; a demoníaca leva à escravidão. Mas não temas, filho de Prithâ, tu nasceste na condição divina.
6. Neste mundo há duas linhagens de seres: a divina e a demoníaca. A divina foi longamente descrita por mim; escuta agora, filho de Prithâ, o que é a demoníaca.
7. Os homens de condição demoníaca não sabem o que se deve e o que não se deve fazer; neles não se encontra a pureza, nem boa conduta, nem veracidade.
8. "No Universo", dizem eles, "não há verdade, nem base moral, nem Deus. Seu desenvolvimento não obedece a um plano ordenado; é produto da união sexual. Não tem outra causa além da sensualidade".
9. Baseados nessas idéias, esses homens, de alma perdida, de fraco entendimento e de atos brutais, aparecem como inimigos nascidos para ruína do gênero humano.
10. Escravos de desejos insaciáveis, dissimulados, arrogantes e orgulhosos, o erro os induz a noções falsas em todos atos de suas vidas agem movidos por desígnios impuros.
11. Aferrado à sua perene idéia de que tudo acaba com a morte, persuadidos de que o bem supremo consiste na satisfação de seus desejos e que tudo se resume nisso;
12. aprisionados por centenas de cadeias de expectativas, deixando-se arrastar por seus desejos e paixões, procuram, apelando a meios ilícitos, acumular riquezas para satisfazer seus apetites desordenados.
13. "Isto", dizem, "adquiri hoje, satisfiz tal desejo; amanhã terei muito mais.
14. Matei este inimigo, assim também me livrarei dos outros. Sou senhor dos homens, saboreio prazeres, sou rico, poderoso e feliz;
15. Sou privilegiado e de berço nobre. Quem pode se igualar a mim? Oferecerei sacrifícios, distribuirei esmolas, gozarei a vida". Enganados por sua insensatez,
16. dispersos por uma multidão de pensamentos, presos nas malhas da ilusão e entregues aos prazeres sensuais, terminam caindo no inferno de seus próprios vícios.
17. Imbuídos de si mesmos, obstinados, orgulhosos e posuídos pela embriaguez das riquezas, oferecem hipócritamente sacrifícios vãos, por mera ostentação, sem ater-se às prescrições do ritual.
18. Egoístas, violentos, vaidosos, lascivos e coléricos esses maledicentes Me odeiam em seu próprio corpo e no corpo alheio.
19. Mas esses homens cheios de ódio, cruéis, impuros, escória da humanidade, Eu os condeno perpétuamente às misérias da vida transmigratória, atirando-os em matrizes demoníacas.
20. Caídos em tais matrizes demoníacas, submergindo gradualmente no erro, de geração em geração, sem nunca alcançar-Me, esses infelizes vão caindo até a condição mais baixa.
21. São três as portas do inferno e todas elas são causa de perdição para a alma: luxúria, avareza e ira. Por isso é preciso fugir delas.
22. O homem que consegue escapar destas três portas das trevas, filho de Kuntî cultiva sua própria salvação, alcançando assim a meta suptrema.
23. Mas aquele que, desdenhando os preceitos das escrituras, se entrega aos impulsos do desejo, não alcança nem a perfeição, nem a felicidade, nem a meta suprema.
24. Faze pois, com que os livros sagrados sejam tua norma na determinação do que se deve e do que não se deve fazer. Conhecendo as regras das escrituras, age neste mundo de acordo com elas.
Capítulo 17
Os Três Motivos de Agir
Fala Arjuna:
1. Qual é, ó Krishna, a condição daqueles que, sem ater-se aos preceitos das escrituras, praticam o culto com fé? É a de sattva, rajas ou tamas?
Fala Krishna:
2. Entre os mortais há três tipos de fé, nascidas de sua natureza individual. A fé pode ser sattvica, rajasica ou tamasica. Escuta adescrição das três.
3. A fé de cada pessoa, ó filho de Bhârata, concorda com seu caráter. Cada um se constitui por sua própria fé: tal é a fé, tal é o homem.
4. Os homens de índole sattvica, adoram os deuses; os que têm caráter rajasico adoram os yashkas e os râkshasas; e os de natureza tamasica prestam culto às sombras e aos espíritos elementares.
5. Os homens que praticam acerbas penitências, não prescritas nos livros sagrados, estando por outro lado cheios de hipocrisia e egoísmo, deixando-se arrastar pela violência de seus desejos e paixões;
6. torturando em sua insensatez o conjunto de elementos do corpo, e também a Mim, que nele resido, entenda que tais homens têm intenções demoníacas.
7. Os alimentos preferidos pelos homens, assim como os sacrifícios, as penitências e as esmolas, são de três tipos, correspondentes às disposições individuais. Ouve o que os distingue.
8. Os alimentos que fortalecem a vida, a energia, a saúde, a alegria e o bem-estar; os que são saborosos, suaves, nutritivos e agradáveis são os alimentos preferidos dos homens de temperamento sattvico.
9. Os homens dotados de um temperamento rajasico preferem os alimentos ácidos, amargos, salgados, picantes, muito quentes, áridos e ardentes, que propiciam moléstias, dores e enfermidades.
10. Os alimentos passados, rançosos, corrompidos, insípidos, restos de comida e pratos impuros são os preferidos pelos homens de temperamento tamasico.
11. O sacrifício oferecido segundo as prescrições da lei, sem esperança de recompensas, na convicção de que tal ato é um dever, é de natureza sattvica.
12. O sacrifício oferecido com intenção de obter favores, ou por hipocrisia, ó melhor dos Bhâratas, é um ato de índole rajasica.
13. O sacrifício que é oferecido de forma contrária à lei, sem fé, sem distribuição de alimentos, recitação de textos sagrados, e sem o estipêndio do sacerdote, é um ato de índole rajasica.
14. A veneração aos deuses, dvijas, mestres espirituais e sábios; a pureza, retidão, castidade e mansidão constituem a ascese do corpo.
15. A linguagem comedida, honesta, verídica, agradável e proveitosa e também a leitura habitual dos livros sagrados são a ascese da palavra.
16. Serenidade mental, doçura, placidez, silêncio, domínio de si mesmo e pureza de ânimo é no que consiste a ascese da mente.
17. Esta ascese tripla, praticada pelos homens piedosos, com fé fervorosa se visar recompensa é dita sattvica.
18. A ascese praticada com hipocrisia, com a intenção de obter agasalho, respeito e honra, é dita rajasica.
19. A ascese praticada com o tolo propósito de torturar-se a si mesmo, ou de fazer mal a alguém, é dita tamasica.
20. A esmola oferecida a uma pessoa merecedora de tal benefício e que não possa retribuí-lo, com a idéia de cumprir um dever e em tempo e lugar adequados, é sattvica.
21. Mas a esmola dada com expectativa de retorno ou recompensa, ou dada de má vontade, é rajasica.
22. A esmola distribuída a pesoas indignas, com ar desdenhoso, sem guardar as devidas atenções e em tempo e lugar inoportunos, é tamasica.
23. OM, TAT, SAT; é esta a tríplice designação de Brahma, por ela foram criados em tempos antigos os brâmanes, os Vedas e os sacrifícios.
24. Por essa razão os conhecedores de Brahma jamais iniciam os atos de sacrifício, caridade ou mortificação ordenados pela lei, sem antes pronunciar o monossílabo OM.
25. Pronunciando o monossílabo TAT e sem visar os frutos de suas obras, aqueles que anseiam pela libertação aos diversos atos de sacrifício, penitência e esmola.
26. O monossílabo SAT é usado para exprimir realidade e bondade; esta palavra também se aplica a obras meritórias, filho de Prithâ.
27. A constância no sacrifício, na penitência e na escola é também designada com a palavra SAT. Da mesma forma, toda ação executada em honra daquele que se denomina SAT.
28. Todo sacrifício, toda escola, toda mortificação, ou qualquer outro ato praticado sem fé é chamado a-sat, filho de Prithâ, e é completamente nulo, tanto nesta vida como na futura.
Fala Arjuna:
1. Qual é, ó Krishna, a condição daqueles que, sem ater-se aos preceitos das escrituras, praticam o culto com fé? É a de sattva, rajas ou tamas?
Fala Krishna:
2. Entre os mortais há três tipos de fé, nascidas de sua natureza individual. A fé pode ser sattvica, rajasica ou tamasica. Escuta adescrição das três.
3. A fé de cada pessoa, ó filho de Bhârata, concorda com seu caráter. Cada um se constitui por sua própria fé: tal é a fé, tal é o homem.
4. Os homens de índole sattvica, adoram os deuses; os que têm caráter rajasico adoram os yashkas e os râkshasas; e os de natureza tamasica prestam culto às sombras e aos espíritos elementares.
5. Os homens que praticam acerbas penitências, não prescritas nos livros sagrados, estando por outro lado cheios de hipocrisia e egoísmo, deixando-se arrastar pela violência de seus desejos e paixões;
6. torturando em sua insensatez o conjunto de elementos do corpo, e também a Mim, que nele resido, entenda que tais homens têm intenções demoníacas.
7. Os alimentos preferidos pelos homens, assim como os sacrifícios, as penitências e as esmolas, são de três tipos, correspondentes às disposições individuais. Ouve o que os distingue.
8. Os alimentos que fortalecem a vida, a energia, a saúde, a alegria e o bem-estar; os que são saborosos, suaves, nutritivos e agradáveis são os alimentos preferidos dos homens de temperamento sattvico.
9. Os homens dotados de um temperamento rajasico preferem os alimentos ácidos, amargos, salgados, picantes, muito quentes, áridos e ardentes, que propiciam moléstias, dores e enfermidades.
10. Os alimentos passados, rançosos, corrompidos, insípidos, restos de comida e pratos impuros são os preferidos pelos homens de temperamento tamasico.
11. O sacrifício oferecido segundo as prescrições da lei, sem esperança de recompensas, na convicção de que tal ato é um dever, é de natureza sattvica.
12. O sacrifício oferecido com intenção de obter favores, ou por hipocrisia, ó melhor dos Bhâratas, é um ato de índole rajasica.
13. O sacrifício que é oferecido de forma contrária à lei, sem fé, sem distribuição de alimentos, recitação de textos sagrados, e sem o estipêndio do sacerdote, é um ato de índole rajasica.
14. A veneração aos deuses, dvijas, mestres espirituais e sábios; a pureza, retidão, castidade e mansidão constituem a ascese do corpo.
15. A linguagem comedida, honesta, verídica, agradável e proveitosa e também a leitura habitual dos livros sagrados são a ascese da palavra.
16. Serenidade mental, doçura, placidez, silêncio, domínio de si mesmo e pureza de ânimo é no que consiste a ascese da mente.
17. Esta ascese tripla, praticada pelos homens piedosos, com fé fervorosa se visar recompensa é dita sattvica.
18. A ascese praticada com hipocrisia, com a intenção de obter agasalho, respeito e honra, é dita rajasica.
19. A ascese praticada com o tolo propósito de torturar-se a si mesmo, ou de fazer mal a alguém, é dita tamasica.
20. A esmola oferecida a uma pessoa merecedora de tal benefício e que não possa retribuí-lo, com a idéia de cumprir um dever e em tempo e lugar adequados, é sattvica.
21. Mas a esmola dada com expectativa de retorno ou recompensa, ou dada de má vontade, é rajasica.
22. A esmola distribuída a pesoas indignas, com ar desdenhoso, sem guardar as devidas atenções e em tempo e lugar inoportunos, é tamasica.
23. OM, TAT, SAT; é esta a tríplice designação de Brahma, por ela foram criados em tempos antigos os brâmanes, os Vedas e os sacrifícios.
24. Por essa razão os conhecedores de Brahma jamais iniciam os atos de sacrifício, caridade ou mortificação ordenados pela lei, sem antes pronunciar o monossílabo OM.
25. Pronunciando o monossílabo TAT e sem visar os frutos de suas obras, aqueles que anseiam pela libertação aos diversos atos de sacrifício, penitência e esmola.
26. O monossílabo SAT é usado para exprimir realidade e bondade; esta palavra também se aplica a obras meritórias, filho de Prithâ.
27. A constância no sacrifício, na penitência e na escola é também designada com a palavra SAT. Da mesma forma, toda ação executada em honra daquele que se denomina SAT.
28. Todo sacrifício, toda escola, toda mortificação, ou qualquer outro ato praticado sem fé é chamado a-sat, filho de Prithâ, e é completamente nulo, tanto nesta vida como na futura.
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